28 de abril de 2014

Por Wallace Carneiro
Trava-se um debate, digladiado, entre aqueles que defendem ‪#‎NãoVaiterCopa‬ (o qual de antemão me filio) e os que defendem ‪#‎VaiterCopaSim‬. Longe de uma trivialidade, este debate é na verdade uma disputa por mentes, que de um lado figuram os atuais agentes de poder, financiado pelas grandes empreiteiras, e de outro uma parcela crítica da população que surpreendentemente se agigantou durante o levante das ruas de 2013.

Adianto que não estou a advogar contra futebol, aliás, esse tema pouco tem dele. Pergunta-se: como, se estamos falando de Copa do Mundo? Na verdade estamos falando de algo muito mais sério, de poder e da manutenção deste!

Parecia tudo perfeito, dentro do script, ano de eleições, momento em que se “xinga” os candidatos ao mesmo tempo em que se vota nos mesmo, copa do mundo para alegrar e embalsamar os olhos povo. Enfim, o coliseu estava armado e os pães prontos para serem arremessados.

Daí acontece o “pior”! Estudantes, “sem ter o que fazer”, desencadeiam um processo nacional de manifestações, mas desta vez, a exemplo do maio francês de 1968, conseguem romper as catracas da vanguarda, a pauta transborda e sensibiliza as camadas mais populares, conquistando-as.

Algo se deve fazer! Emprestam-se táticas de um tempo não muito distante e criminaliza-se o movimento. “Baderneiros”! Não colou? Colocam-se os baderneiros de verdade pra quebrar tudo. Mas algo está diferente de outras copas, agora, a copa é aqui!

Rios de dinheiro – os mesmos que sempre foram negados ao desenvolvimento humano por falta de orçamento – sendo jorrado em obras faraônicas, “padrão FIFA”. Ao todo, as previsões estimam que sejam gastos R$ 30 bilhões, dos quais 85% serão arcados pelos cofres públicos. Vou dar ênfase no “bi”, pois na primeira vez meus olhos leram como “mi” de milhões, talvez até eles se recusassem a acreditar.

É sentido na pele a falta que esses recursos fazem na educação e na saúde, imaginem hospitais e escolas ao melhor “padrão FIFA”. Entretanto, pra quê tudo isso? Quem ganha? As empreiteiras que curiosamente são as principais financiadoras das milionárias campanhas eleitorais? Ou será apenas uma infeliz coincidência?!

Famílias estão sendo desalojada de suas casas para “darem lugar à copa”, e o pior, não se pede nem um “com licença, mas precisamos de um estacionamento para copa”. No Rio de Janeiro 8.350 famílias foram removidas de suas casas e cerca de 170 mil em todo o Brasil, para essas famílias, #nãovaitercopa! Também não vai ter copa para José Afonso de Oliveira Rodrigues, Raimundo Nonato Lima Costa, Fábio Luiz Pereira, Ronaldo Oliveira dos Santos, Marcleudo de Melo Ferreira, José Antônio do Nascimento, Antônio José Pitta Martins e Fabio Hamilton da Cruz, mortos nas obras dos estádios. É claro que a legislação trabalhista e a segurança no trabalho são um empecilho para o lucro “fácil” dos consórcios construtores.

Entretanto, não se preocupe, #VaiTerCopaSim! Afinal, toda essa história de CPI (do mensalão do PSDB e da PETROBRÁS, juntas ou separadas), greves sendo deflagradas no Brasil, tudo isso é muito inconveniente. E pior, pertinho das eleições!

É, tá na hora da Copa começar, que se ergam as canarinhas! Faltam... Quantos dias para festa começar? Já compraram o fuleco?

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