20 de fevereiro de 2013

Acho que a blogueira Yoani veio "em busca de democracia" no lugar errado. Os esquerdistas não querem nem ver a mulher.. tudo porque a blogueira não apoia, não exalta e não magnifica o FIDEL, muito pelo contrário, faz oposição à ele. 
Yoani Sánchez durante debate em Feira de Santana (BA) - Ueslei Marcelino/Reuters
Achei "interessante" (pra não dizer ridículo) vários protestos contra a blogueira Yoani por militantes do PT, PC do B e de outros... Aos gritos de "traidora", "viva a revolução" e outras asneiras... os militantes pró-Fidel, pró-Chávez, pró-Ahmadinejad e pró-Ditaduras em geral manifestaram sua revolta contra a blogueira. Acho interessante que os mesmos brasileiros que defendem a democracia aqui defendem a ditadura acolá... Os mesmos que celebram o fim da ditadura no Brasil, defendem a revolução de Fidel que é implacável com quem faz oposição ao governo... vá entender este povo... Até alguns deputados Pró-Fidel ficaram chateados com a presença da blogueira na Câmara.

A blogueira comentou  em seu blog (http://www.desdecuba.com ) sobre os protestos dos militantes da esquerda do Brasil e chegou a chamar de "piquete de extremistas". Abaixo reproduzo o texto da mesma:

Talvez vocês não saibam – porque não se conta tudo num blog – porém o primeiro ato de repúdio que vi na minha vida foi quando só tinha cinco anos. A agitação no casarão chamou a atenção das duas meninas que éramos minha irmã e eu. Assomamos a grade do corredor estreito para olhar para o piso de baixo. As pessoas gritavam e levantavam o punho em volta da porta de uma vizinha. Com tão pouca idade não tinha a menor idéia do que se passava. Mais ainda, quando agora relembro o acontecimento apenas tenho a recordação do frio do corrimão nos meus dedos e um curto instante dos que vociferavam. Anos depois pude ordenar aquele caleidoscópio de evocações infantis e soube que havia sido testemunha da violência desatada contra quem queria emigrar pelo porto de Mariel.

Pois bem, desde aquilo tenho vivido então vários atos de repúdio de perto. Seja como vítima, observadora, ou jornalista… Nunca – vale à pena esclarecer – como participante. Recordo um especialmente violento que experimentei junto as Damas de Branco, onde as hordas da intolerância nos cuspiram, empurraram e até puxaram os cabelos. Porém o de ontem a noite foi inédito para mim. O piquete de extremistas que impediu a projeção do filme de Dado Galvão em Feira de Santana era algo mais do que uma soma de adeptos incondicionais do governo cubano. Todos tinham, por exemplo, o mesmo documento – impresso a cores – com uma fieira de mentiras sobre minha pessoa, tão maniqueístas como fáceis de rebater numa simples conversação. Repetiam um roteiro idêntico e guiado, sem ter a menor intenção de escutar a réplica que eu poderia lhes dar. Gritavam, interrompiam, num momento tornaram-se violentos e de vez em quando exibiam um coro de palavras de ordem dessas que já não são ditas em Cuba.

Contudo, com a ajuda do Senador Eduardo Suplicy e a calma ante as adversidades que me caracteriza, conseguimos começar a falar. Resumo: só sabiam berrar e repetir as mesmas frases, como autômatos programados. Assim a reunião foi muito interessante. Eles tinham as veias do pescoço inchadas, eu esboçava um sorriso. Eles me faziam ataques pessoais, eu conduzia a discussão ao nível de Cuba que sempre será mais importante que esta humilde servidora. Eles queriam me linchar, eu conversar. Eles obedeciam a ordens, eu sou uma alma livre. No fim da noite sentia-me como depois de uma batalha contra os demônios do mesmo extremismo que atiçou os atos de repúdio daquele ano oitenta em Cuba. A diferença é que desta vez eu conhecia o mecanismo que fomenta estas atitudes, eu podia ver o longo braço que os move desde a Praça da Revolução em Havana.

Deixe aqui seu COMENTÁRIO: