20 de dezembro de 2012

A charge acima nos lembra que, assim como na vida, na internet não existe almoço grátis. Com as exceções de sempre, como WikiLeaks, Firefox e Wikipedia, que vivem da devoção (e das doações) de uma comunidade de usuários apaixonados, praticamente qualquer serviço online gratuito tem um preço bem definido: seus dados pessoais.

Google e Facebook fizeram fortuna ao ´monetizar´ nossos dados para exibir publicidade dirigida. Outros serviços, como Twitter e Tumblr, não tiveram o mesmo sucesso, apesar de serem plataformas altamente populares. Em meio ao esforço para justificar que seu app vale o bilhão de dólares que Zuckerberg pagou por ele, Kevin Systron, fundador do Instagram, teve uma ideia ´genial´: decidiu se apropriar de todas as fotos de seus 100 milhões de usuários e oferecê-las para quem quiser explorá-las.

Um hotel poderia, por exemplo, criar uma galeria de fotos do Instagram feita por seus hóspedes. Uma montadora poderia criar um descolado clipe com imagens de famílias felizes viajando a bordo de seus carros. Na estratégia genial, só faltou combinar com os usuários.

Quando o Instagram anunciou, de forma um tanto desastrada, que seus novos termos de uso permitiram ao serviço se apropriar das imagens dos usuários para fins comerciais deu-se a tragédia. Uma enxurrada de críticas lotou as timelimes de Instagram, Twitter e Facebook. A maior parte dos usuários não quer ver as imagens de sua intimidade compartilhadas para além de seus seguidores, muito menos para promover produtos e marcas.

O barulho foi tanto que Systrom recuou. O anúncio do passo atrás do Instagram recebeu até um curtir da irmã de Zuckerberg, uma fã da rede social de imagens. Ao que tudo indica, no entanto, os executivos de Menlo Park não desistirão de vender nossas fotos. No novo termo de uso, eles explicam que as imagens que fizemos continuarão sendo nossas, mas reservam ao Instagram o direito de explorar as imagens e dados dos usuários que assim autorizarem.

É justo que o Instagram encontre uma forma de gerar receita. Até agora, a ideia de vender pacotes de filtros não se mostrou capaz de gerar receita em volume suficiente para saciar os acionistas de seu controlador, o Facebook. O Instagram seguirá adiante, apenas tomará o cuidado de não parecer arrogante em seus próximos comunicados. Como todos sabemos, nossos dados na nuvem não são privados há muito tempo.

Deixe aqui seu COMENTÁRIO: