13 de outubro de 2012

Imagem meramente ilustrativa.
Reprodução do Blog do Pr. Adriano Trajano
“Foi a campanha mais corrupta que nós tivemos”. É baseada nas ligações que chegaram aos telefones do disque-denúncia, do Comitê Estadual do Movimento Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral, da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que a coordenadora da Comissão de Justiça e Paz da CNBB, irmã Henriqueta Cavalcante, faz essa afirmação. Com pouco mais de 2.750 ligações e 259 denúncias encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF), ela aponta que o crime de compra de votos imperou no Estado.

Segundo a irmã Henriqueta, a compra de votos corresponde, até o momento, a cerca de 70% do total de crimes e irregularidades registrados pelo serviço. Para ela, as denúncias também foram representativas quanto à qualidade. “Tivemos um total de 2.757 chamadas, mas as denúncias encaminhadas ao MP foram 259 porque eram as que tinham materialidade e muita consistência”, afirma. “A compra de voto imperou nesse primeiro turno”.

Dentre as denúncias de compra de voto recebidas, uma chamou a atenção da coordenadora. “Uma senhora denunciou que recebeu R$300 para votar em um candidato de um determinado município. Ela aceitou porque estava passando fome, mas o sentimento de culpa foi tão forte que ela resolveu denunciar”, disse. “Ela percebeu que aquele candidato seria péssimo para o seu município”.

ATENDIMENTO

A exemplo do caso desta senhora, segundo a irmã Henriqueta, durante o atendimento aos eleitores neste primeiro turno, foi possível identificar que alguns candidatos costumam se aproveitar das situações de necessidade dos eleitores. “Eles se apropriam justamente da população miserável, que precisa do dinheiro. Houve muita denúncia de compra de voto com distribuição de cesta básica, com dinheiro, com consultas médicas”, enumera. “Tivemos muitas denúncias antecipadas também. Denúncias que diziam que em ‘tal’ dia e em ‘tal’ hora iria acontecer a compra de voto”.

PARTICIPAÇÃO

Segundo ela, essa antecipação gerou não apenas um aumento quantitativo, mas também qualitativo das ligações. “A participação da população foi muito grande. A população estava desesperada e mostrou que não suporta mais esse tipo de coisa”, avalia. “As denúncias aumentaram com qualidade porque a denúncia precisa ser eficaz e com eficiência. Não adianta denunciar sem provas”.

Em relação às denúncias de maior gravidade, ela destaca municípios como Porto de Moz, Itaituba, Santo Antônio do Tauá e Salinas. “Pela gravidade das denúncias, esses municípios se destacaram. Estamos esperando o segundo turno para, no final de tudo, fazermos um relatório final mais detalhado”. Para o segundo turno, o serviço gratuito também continuará em funcionamento. 

Fonte: Diário do Pará

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