4 de setembro de 2012

Critérios de avaliação da F. de São Paulo geram desvantagem para universidades novas, como a UFOPA. Alguns dados foram colhidos quando a instituição nem sequer existia.

Esta semana, o Grupo Folha de São Paulo divulgou o “Ranking Universitário Folha” (RUF), uma listagem das universidades brasileiras que avalia a qualidade das instituições de ensino a partir de, apenas, quatro critérios de avaliação. A lista contém 191 universidades, que, diferentemente de faculdades e centros universitários, são instituições mais completas e com leis mais rígidas.

Neste ranking, a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) aparece em 180º lugar, o que foi motivo de publicações em veículos de notícias do Pará, muitas delas contendo informações mal interpretadas. É importante esclarecer que o estudo leva em consideração critérios específicos, que melhor avaliam instituições tradicionais e com grande número de alunos.

A UFOPA, que completará 3 anos em novembro de 2012, possuía, no período do levantamento da Folha, um total de 1.052 estudantes. Por outro lado, as 5 primeiras colocadas – USP, UFMG, UFRJ, UFRGS e Unicamp –, todas com mais de 50 anos de existência, possuíam, cada uma, entre 14 mil e 65 mil alunos. A Universidade Federal do Pará (UFPA), 24ª colocada, possui 55 anos e um corpo discente que ultrapassa os 33 mil.

Método questionado

O pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação Tecnológica da UFOPA, Prof. Dr. Marcos Ximenes, concorda com as melhores colocações da lista, mas questiona a metodologia usada na pesquisa, que avaliou da mesma forma as universidades novas e as já consolidadas: “Não tenho dúvidas de que as primeiras 30 ou 40 são, de fato, as melhores do Brasil, mas para as universidades emergentes o método de inquérito não tem sentido, porque elas ainda são desconhecidas. Esse método, naturalmente, coloca as universidades novas em grande desvantagem”.

Para se ter uma ideia, no critério “Qualidade de Ensino”, 132 das 191 instituições da lista ganharam pontuação zero – apenas um quarto recebeu pontuação superior a isso. Segundo informações da Folha, este critério se baseia na consulta do Datafolha a 597 pesquisadores que indicaram as dez melhores instituições do país, em termos de ensino, na sua área de atuação. Tal critério, certamente, privilegia instituições de ensino superior renomadas, em detrimento daquelas que ainda estão em construção, como a UFOPA e a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), que ficou em 179º lugar, uma posição acima da UFOPA.

Dados inexistentes

No “Indicador de Inovação”, que analisou apenas a quantidade de pedidos de patentes por universidade, 96 instituições de ensino superior do país obtiveram zero ponto na avaliação. Tal critério não leva em consideração o contexto de criação e implementação das novas universidades, que ainda estão iniciando seus grupos e programas de pesquisa e que deverão levar mais alguns anos para lançar suas primeiras patentes.

Já no quesito “Qualidade de pesquisa”, um dos que têm maior peso, um dos itens analisados foi o número de artigos científicos publicados em 2008 e 2009, em periódicos da base internacional “Web of Science”, período em que a UFOPA ainda não existia, já que foi criada em 5 de novembro de 2009. Portanto, um critério que não contempla instituições recém-criadas.

Segundo Marcos Ximenes, a UFOPA ainda nem mesmo integra as planilhas do Ministério da Educação (MEC) de avaliação e de critérios de rateio de recursos, pois a Universidade ainda não formou alunos próprios e ainda se encontra em processo de organização.

Acompanhe a metodologia utilizada para a construção do ranking pelo Grupo Folha: http://ruf.folha.uol.com.br/metodologia/. ( Fonte: Comunicação/UFOPA ) 

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