19 de abril de 2012

A CPI que, em tese, vai apurar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com os Poderes — a palavra parece sintetizar bem a questão — será criada hoje. Poderia ser só um caso de polícia, em que um homem é flagrado explorando jogos de azar. Mas é um caso, em primeiro lugar, de política. E esse é seu aspecto grave, deletério.

Vazamentos diários sobre a Operação Monte Carlo (desde que VEJA publicou, na revista que começou a chegar aos leitores no dia 4 de março, a primeira reportagem sobre as relações de Demóstenes Torres com Cachoeira) demonstram, depois de um mês e meio, que senador era, assim, uma espécie de “bode de exultação” dos petistas para tentar desmoralizar o que resta de oposição no país. A traficância, já se sabe, é bem maior do que o campo de atuação deste político de Goiás. Muita coisa ainda tem de vir a público, mas o bom senso indica que o parlamentar era pequeno demais para os anseios de Cachoeira e seus pares, como a construtora Delta. A rede é bem mais ampla.

Como Demóstenes era quem era, o caso pegou. Num primeiro momento, assistiu-se a um verdadeiro foguetório petista. Do mesmo modo, o jornalismo governista — particularmente a esgotosfera financiada com o dinheiro dos pobres — bradava que assim são todos os “falsos moralistas”, “os direitistas”, “os reacionários” etc. Até que os petistas começaram a aparecer no enredo, dividindo o protagonismo com o senador. Mais do que isso: a principal construtora do PAC, aquela cujo presidente é amigo de poderosos e diz sem pejo a seus sócios que políticos têm um preço, saltou para o olho do furacão. E, tudo indica, outros nomes virão.

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