10 de janeiro de 2012

O Pará é o segundo estado brasileiro com menos médicos do SUS. Esse é apenas um dos resultados do estudo publicado hoje (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Outros indicadores comprovam ainda que a presença do Estado na área da saúde mostra grande desequilíbrio regional no Brasil.

A média nacional de médicos do SUS por cada mil habitantes é de 3,1. Nas regiões Sul e Sudeste este número supera a média (3,7) enquanto nas regiões Norte e Nordeste a média cai para 1,9 e 2,4 respectivamente.


No Pará o Sistema Único de Saúde (SUS) possui apenas 1,5 médicos por cada mil habitantes. A média fica à frente, apenas, do estado do Maranhão. O estudo do IPEA - “Presença do Estado no Brasil: federação, suas unidades e municipalidades” – mostra ainda outros fatores que ressaltam a discrepância entre as regiões, revelando que a maior parte dos profissionais mais bem qualificados está nas regiões mais desenvolvidas economicamente.

Já quanto ao número de leitos de internação pelo SUS, o Pará aparece melhor colocado: em 12º lugar, com 11.121 leitos. Porém, a distribuição regional continua desigual. A região Norte concentra apenas 7,4% do total de leitos, seguida do Centro-Oeste, com 7,8%, e do Sul, com 16.1%. O Nordeste possui 30,1% dos leitos, enquanto o Sudeste possui 38,7%. São Paulo é o estado com maior concentração de leitos (18%) e o Acre o que tem menor quantidade (0,25% do total).

Internação
As diferenças entre as regiões se repetem nos procedimentos de internação, porém de forma diferente. Na região sudeste, por exemplo, a média de internação é menor que a nacional, já na região Nordeste é igual. Isso, segundo o texto do estudo do IPEA, “pode indicar (...) um número de leitos disponíveis para internação insuficiente para a necessidade da região”.

No entanto, quando apurada a média de internações por médico por 100 habitantes as diferenças voltam ao padrão inicial, ou seja, as regiões Sul e Sudeste apresentam média inferior à nacional, enquanto as outras regiões apresentam mais internações por médico por 100 habitantes. 
Segundo o próprio estudo esse pode ser um indicativo de que há uma “menor necessidade de internações na região Sudeste, a mais desenvolvida economicamente, em virtude de maior oferta de médicos e com melhor distribuição dos pontos de atendimento, enquanto as demais regiões têm oferta menor de médicos e com uma pior distribuição dos pontos de atendimento exigindo maiores deslocamentos da população na busca pelo serviço e a necessidade de permanência em internação para a conclusão de tratamento”, relata o estudo. 

Podemos conferir o reflexo da situação na concentração de leitos e médicos para atendimentos nas capitais dos estados. Segundo o estudo, na região Norte 69% dos municípios têm menos de um médico para mil habitantes. No Nordeste esse número chega a 43%. Já as outras regiões apresentam números bem melhores: 23% no Centro-Oeste, 17% no Sul e 14% no Sudeste.
Fonte: Marina Chiari/ DOL

Deixe aqui seu COMENTÁRIO: