28 de janeiro de 2012

Há alguns dias atrás eu compartilhei aqui neste blog uma notícia muito triste que mostra o quanto alguns haitianos sofrem para chegar ao Brasil. A antropóloga Thaisa Lumie Yamauie, 25 anos, voluntária do Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Acre, entrevistou vários haitianos e os relatos deles são chocantes. Na peregrinação para chegarem ao Brasil alguns são estuprados, assaltados, espancados e outros não resistem e morrem...

Os haitianos nos últimos meses estão migrando para vários países, e entre eles o Brasil, em busca de dias melhores. O Haiti é um país que viveu nas últimas décadas sobre uma forte ditadura e no ano de 2010 foi arrasado por um terremoto com magnitude sísmica 7.3 na escala de Richter. Atualmente a Tropa de Paz da Onu está no Haiti, para tentar ajudar o país a se reerguer, ou se não, pelo menos estabelecer a ordem por lá. A fome e a pobreza que assolam o Haiti.

Pois bem, depois de tanto sofrer pagando propinas para os coiotes, sendo assaltados e humilhados os haitianos finalmente podem respirar o ar brasileiro, e logo saem em busca de trabalho, tentam reerguer-se novamente, tentam simplesmente sobreviver. É, mas nada é fácil. Principalmente quando a ignorância ainda toma de conta da cabeça de muitas pessoas. Na verdade o Brasil tem fama de acolhedor, e em vários lugares os haitianos são recebidos e tratados muito bem. No entanto, em Manaus - Amazonas, nem todos estão satisfeitos com a presença deles. 

Veja abaixo o que a jornalista Mazé Mourão, postou em seu blog a cerca dos haitianos que chegaram à Manaus e eu volto logo depois:

O Haiti não é aqui! 
Governo Federal autorizou? Pois ‘toma que os filhos são teus’, entende?
Definitivamente, não é no Amazonas. ‘Quem não pode com o pote não pega na rodilha’, já dizia dona Leonor, minha mãe. Se nós não conseguimos diminuir os nossos problemas, que ‘dirá’ de quem chega e toma de assalto esta Manaus de Mil Contrastes! Aliás, a cidade está um verdadeiro contraste de cores, rostos e roupas. Nefredite, minha confiada secretária do lar, fez questão de relembrar um tempo não tão antigo. “Eu cantei a bola ao dizer que, apesar de ainda serem poucos já faziam uma ‘cobrinha’ bem unida e quando o ônibus parava na ‘parada’ do Zumbi 5, esses estrangeiros pulavam em conjunto, antes da gente, e sentavam, tomando todos os bancos. Não sobrava um lugar, credo! Essa turma afro não é igual ao Enen, não. Não vaza nem de com borra!”

Aliás, Nefre também já tinha avisado que eles estão ‘tomando de conta’ até dos empregos nas fábricas do Distrito Industrial dos portadores de necessidades especiais, porque (ela explica!) ‘como não sabem falar a nossa língua, trabalham caladinhos e até passam da hora sem cobrar nada!”

Tirando os exageros de Nefredite, gente, os haitianos além de se espalharem pelos quatro cantos da cidade ainda são abusados. Impediram uma fotógrafa do DIÁRIO DO AMAZONAS de fotografá-los e um outro pediu dinheiro, caso contrário não dava entrevista. Eu posso, dona Zuzu? Concordo com Omar Aziz: tem mais é que se preocupar com os manauaras, ora, ora, ora.

Quando vejo os nossos problemas sociais: crianças amazonenses nos sinais esmolando, monte de pedintes pelos cantos das ruas, mar de camelôs que se forma no centro de Manaus, delegacias lotadas, hospitais sem dar conta de tanto doente, sorry, sorry e sorry, o Haiti definitivamente não é aqui. A pergunta que não quer calar: ‘por que os haitianos não ficam em Tabatinga ou vão povoar outros municípios amazonenses?’. Tenho mais uma que também não cala: ‘Quem ensinou esse caminho de paca, batidinho, batidinho de Manaus para eles, hein?’ Respostas para este blog. Até. (O link para a postagem desta "jornalista é http://blogs.d24am.com/blogdamaze/2012/01/26/o-haiti-nao-e-aqui/#comments )

Voltei:
Gente, este texto desta "jornalista" é preconceituoso ou entendi mal?
É verdade que o Brasil, que o Amazonas, que o Pará tem problemas, tem pobreza e etc... Mas, graças à Deus, estamos em condições melhores que o Haiti e podemos ajudar estas pessoas que estão em busca de dias melhores.

A jornalista reclamou até porque os "afros", como diz ela, sentam nos bancos dos ônibus e não sobra lugar pra ela  - ou pra secretária dela? Que que é isso? Quer dizer, que só porque são "entrangeiros, afros", tem que levantar pra jornalista ou a secretária dela sentar? Santa paciência... Espero que a maioria dos manauaras não comunguem deste mesmo pensamento ridículo.



Pior que o Governador do Amazonas, Omar Aziz, também pensa igual à esta jornalista. Veja a notícia a seguir publicada no site
A Crítica:


“Se o Governo Federal quiser, que coloque os haitianos em apartamentos de Brasília”, declarou na manhã desta quarta-feira (25), o governador do Amazonas, Omar Aziz, durante entrevista coletiva em um estaleiro da Zona Oeste de Manaus, ao ser indagado pelos jornalistas a respeito das ações que o poder Executivo estadual irá adotar em relação aos mais de 3 mil haitianos refugiados no Amazonas.

Aziz afirmou que o governo local “não atenderá primeiro os haitianos. Em detrimento aos amazonenses”, além de salientar que o Governo Federal é que deve fazer uma política definitiva para atender os refugiados haitianos. 

A demanda por habitação e emprego em Manaus já é muito grande, destacou o governador. Omar também disse não entender o “porque do Governo Federal querer que o Estado seja o mediador desta situação”.

“O Estado não tem como arcar com estas pessoas e o Amazonas está no limite”, salientou Omar Aziz, referindo-se a entrada de refugiados no Amazonas. Apesar das criticas o governador do Amazonas disse ser solidário aos haitianos refugiados e que está disposto a colaborar.

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