O projeto, chamado de Conexão Amazônica, teve investimentos da ordem de R$ 1,5 milhões e começou com a instalação de uma torre de telefonia celular em Belterra, que até então não contava com nenhuma comunicação móvel disponível. Os desafios eram de conseguir um retorno financeiro adequado para a empresa em uma comunidade tão pequena e, simultaneamente, fazer um processo de inclusão social.
Dois parceiros foram essenciais para o sucesso do projeto. Para contar com um maiorconhecimento e articulação na região, a Vivo estabeleceu uma parceria com aONG Saúde e Alegria.  Além disso, a empresa teve o apoio da Ericsson, que doou diversos equipamentos 3G, assim como painéis solares e recarregadores, sendo um braço tecnológico do projeto.
Além de ser inovador por lançar uma torre de comunicação em uma cidade pequena como Belterra, a Vivo também teve que inovar em tecnologia. Como a região é ribeirinha, o sinal da torre muitas vezes não era tão bom em comunidades vizinhas, pois ele era espelhado pelo rio. Para conseguir expandir o sinal, a empresa implantou uma nova torre em Suruacá (comunidade de 500 habitantes). O diferencial desta torre é que ela utiliza energia eólica e solar para o seu funcionamento.
No entanto, a maior inovação ainda está no modelo de negócio que permitiu que todos os elos envolvidos tivessem ganhos, a começar pela comunidade de Belterra, que além de ter acesso à comunicação móvel, teve vários benefícios sociais e econômicos:
  • A Vivo doou 100 aparelhos celulares para líderes da comunidade, com acesso ilimitado a dados e R$ 15 de crédito em voz. Isto permitiu a implantação dos"celulares da comunidade", melhorando a comunicação dos habitantes da região com outras localidades.
  • O primeiro novo empreendimento em Belterra depois do lançamento da torre foi umaLan House, mostrando sua relevância para o empreendedorismo local.
  • Várias empresas estão migrando para Belterra, devido ao melhor sinal da região.
  • A aprovação de crédito realizado por algumas lojas, que por vezes demorava de 2 a 3 dias, passou a ser realizado em 2 a 3 horas.
  • As pousadas de cidades vizinhas, como Alter do Chão, tiveram um crescimento do movimento, já que mais pessoas se dispuseram a ir até a região em função do sinal.
  • Houve uma melhoria na educação, uma vez que após a instalação da torre, 20% dos estudantes se matricularam em algum tipo de ensino a distância e 10% acessam bibliotecas virtuais.
A Vivo também se beneficiou de diversas formas:
  • Payback do projeto, que estava estimado em três anos, ocorreu em apenas um ano.
  • A empresa teve um grande aprendizado tanto tecnológico como na forma de atender regiões menores. Recentemente a empresa inaugurou outras torres em municípios como Borá em São Paulo (menor município do Brasil), Guaribas, no interior do Piauí e berço do programa Fome Zero, e Inhapim, em Minas Gerais, cidade que possui o menor IDH do Brasil.
  • A partir desta experiência a Vivo pretende ampliar a rede 3G, até dezembro de 2011, para 2.832 municípios do País, onde vivem 85% da população brasileira.
  • Melhoria da imagem de marca na região. Este projeto ajudou a Vivo a ser a empresalíder da região, com mais de 70% de participação em Santarém, por exemplo.
Saúde e Alegria teve diversos benefícios que puderam ser revertidos para a sociedade:
  • A ONG possui um hospital-barco chamado Abaré, que foi equipado com equipamentos 3G, smartphones e notebooks. Além disso, passou a ser umretransmissor do sinal da torre de Belterra. O barco promove o acesso aos programas da atenção básica como pré-natal, PCCU, planejamento familiar, imunizações, saúde oral, saúde da criança, atendimentos médicos, pequenas cirurgias, atendimentos ambulatoriais e realizações de exames de rotina. A melhoria da infra-estrutura do barco permitiu que este servisse como referência para o Ministério da Saúde publicar portaria que autoriza Municípios a implementarem Unidades de Saúde da Família Fluviais. Além disso, o Saúde & Alegria pode agora receber recursos do SUS.
  • Com essas melhorias, a ONG também está desenvolvendo um projeto de educação no barco para estudantes de medicina e gestores públicos de forma a expandir esta experiência para outras regiões.
  • Há também um estímulo à cultura. Em 15 comunidades, com o uso de smartphones e laptops doados pelo projeto, jovens estão aprendendo a fotografar e filmar o dia a dia de suas comunidades, produzindo vídeos educativos e culturais, mostrando que debaixo da floresta da gente, tem gente.
Percebe-se que este é um projeto inovador em que todos ganham. O cliente ganha com acesso à comunicação móvel, tão relevante nos dias de hoje e que muitas vezes permite, além de ampliar suas redes de comunicação, um incremento na renda. Ganha também a empresa com um retorno financeiro e melhoria de sua imagem de marca. Por fim, ganha a sociedade como um todo, que tem melhoria do poder aquisitivo e acesso a serviços básicos, no caso, comunicação, saúde e educação.